Ao Domingo
Domingo XXV T. C.-A -nº 765 / 26.09.20
Pró ativos, sempre!
Estamos a caminho! E neste caminhar facilmente se constata o enorme desenvolvimento tecnológico nas várias áreas do saber e do fazer. Não vale a fingir ou fazer de contas que não se vive de mãos dadas com todo esse desenvolvimento. Ele está aí e respira-se no nosso quotidiano, muitas vezes sem dele nos apercebermos. Mas é uma realidade!Ter uma ideia negativa, é prejudicial; pelo contrário, acolhê-lo faz bem, pois é uma ferramenta que quando bem usado, pode ajudar a criar relações humanas mais profundas e a dignificar a pessoa humana. A questão está precisamente no uso que se faz desse desenvolvimento e com que objetivos. Concretamente, como olhamos para esta enorme ferramenta: a Inteligência Artificial!?
Muito se tem dito, mas ela aí está, felizmente. Assim a saibamos usar como serviço em favor e não contra as pessoas, em favor do diálogo intergeracional e não do isolacionismo dos muros e nacionalismos do passado saudosista.A este propósito, transcrevemos um pequeno pensamento recente do papa Leão XIV: «O desenvolvimento tecnológico, a difusão dos meios de comunicação em massa e das redes sociais, bem como o recurso cada vez maior à inteligência artificial, abrem novas possibilidades, derrubando barreiras e distâncias; por outro lado, as relações tendem a tornar-se cada vez menos pessoais».Ajudar, sim; substituir, não! Certamente, todos queremos ser ajudados, porque caminhamos juntos, mas, em condições saudáveis, ninguém quer ser substituído. Pró ativos, sempre!!!
Padre Miguel
A Palavra de Deus
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola:«O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha.Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a sua vinha.Saiu a meia-manhã, viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes:‘Ide vós também para a minha vinha, e dar-vos-ei o que for justo’.E eles foram.
Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde, e fez o mesmo.Saindo ao cair da tarde, encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes:‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’.Eles responderam-lhe: ‘Ninguém nos contratou’.Ele disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha’.Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz:«Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’.Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um.Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais, mas receberam também um denário cada um.Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo:‘Estes últimos trabalharam só uma hora, e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o peso do dia e o calor’.Mas o proprietário respondeu a um deles:‘Amigo, em nada te prejudico. Não foi um denário que ajustaste comigo?Leva o que é teu e segue o teu caminho.Eu quero dar a este último tanto como a ti.Não me será permitido fazer o que quero do que é meu?Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?’.Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos».
Palavra da salvação.
A Palavra se faz vida
A lógica do amor
A Palavra faz-se VidaA lógica do AmorO texto do Evangelho deste domingo traz até nós a forma de amar de Deus. Porque ama a todos, a todos chama para trabalhar na sua Vinha, envolvendo a todos na construção do Reino!Certamente, esta forma de ser de Deus não encaixa na mentalidade dos judeus que estavam convencidos de que o Messias viria instaurar o Seu Reino só para eles.Vai também tu para a minha vinha, é este o agir de Deus, independentemente do tempo e do espaço. Não conta tanto, o tempo, mas a decisão de acolher o chamamento e de se envolver na construção do Reino.Daí, que há os da 1ª hora, os que vêm depois, mais tarde e já no final do dia (da vida). O amor de Deus é sempre o mesmo. O Seu amor vai para lá da chamada “justiça” humana.Pensemos no ladrão arrependido (última hora): estarás comigo no Paraíso. Pensemos no Filho Pródigo e na festa que o Pai lhe fez, contra a vontade do irmão mais velho (da 1ª hora).Deus distribui o Seu amor, que é sempre igual, a cada um consoante as suas necessidades.Esta é a lógica do Amor de Deus. É assim que Deus entende o Amor.
Um fruto da Palavra
O amor não faz mal ao próximo. O amor é, pois, o pleno cumprimento da lei. (Rm 13,10)
Há dias pensando na minha vida, via-me como uma criança que tinha de saltar de um pequeno muro, mas não via bem o chão e não tinha a certeza se o Pai estaria em baixo para a receber.A criança acabou por dizer: «Eu salto na mesma! É melhor arriscar-me a cair no chão, poder até magoar-me, mas não posso ficar sempre em cima do murinho».Esta imagem pode servir para dizer o seguinte: em todas as circunstâncias da minha vida, sobretudo nos momentos críticos, procurei confiar naquele Pai que na minha juventude tinha conhecido como Amor e que ainda hoje me dá coragem para dar um salto no vazio, porque está sempre pronto à minha espera para me apoiar.Assim procurei viver o meu empenho no trabalho e no sindicato para defender os interesses dos trabalhadores, assim vivi na família com a minha esposa e os filhos, e assim me empenhei durante longos anos para iniciar a ONG, a AMU (Ações para um Mundo Unido).Sim, no meio de inevitáveis provas, saltei sempre do muro e sempre encontrei o Pai que me esperava.
P.C. Itália