Ao Domingo
Domingo XXIX T. C.-A -nº 767 / 26.10.18
Um em Cristo, unidos na missão
Para o Dia Mundial das Missões de 2026, que marca o centenário desta celebração, instituída por Pio XI e tão estimada pela Igreja, escolhi o tema «Um em Cristo, unidos na missão». Após o Ano Jubilar, desejo exortar toda a Igreja a prosseguir o caminho missionário com alegria e zelo no Espírito Santo, o que requer corações unificados em Cristo, comunidades reconciliadas e, em todos, disponibilidade para colaborar com generosidade e confiança…Sendo assim, a primeira responsabilidade missionária da Igreja é renovar e manter viva a unidade espiritual e fraterna entre os seus membros. Em muitas situações, assistimos a conflitos, polarizações, incompreensões, desconfiança mútua. Quando, também nas nossas comunidades, isto acontece, o seu testemunho enfraquece…Por isso, desejo agradecer especialmente aos atuais missionários e missionárias ad gentes: pessoas que, como São Francisco Xavier, deixaram a sua terra, a sua família e as seguranças para anunciar o Evangelho, levando Cristo e o seu amor a lugares muitas vezes difíceis, pobres, marcados por conflitos ou culturalmente distantes. Apesar das adversidades e dos limites humanos, eles continuam a doar-se com alegria porque sabem que o próprio Cristo, com o seu Evangelho, é a maior riqueza a partilhar.Com a sua perseverança, mostram que o amor de Deus é mais forte do que qualquer barreira. O mundo ainda precisa destes corajosos testemunhos de Cristo, e também as comunidades eclesiais necessitam de novas vocações missionárias, que devemos sempre ter no coração e rezar continuamente por elas ao Pai. Que Ele nos conceda o dom de jovens e adultos dispostos a deixar tudo para seguir Cristo no caminho da evangelização até aos confins da terra!
Padre Miguel
A Palavra de Deus
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, os fariseus reuniram-se para deliberar sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse.Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos, juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe:«Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem Te deixares influenciar por ninguém, pois não fazes aceção de pessoas.Diz-nos o teu parecer:É lícito ou não pagar tributo a César?».Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu:
«Porque Me tentais, hipócritas?Mostrai-Me a moeda do tributo».Eles apresentaram-Lhe um denário, e Jesus perguntou:«De quem é esta imagem e esta inscrição?».Eles responderam:«De César».Disse-lhes Jesus:«Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus»
Domingo XXIX — Tempo Comum
Na primeira leitura (Isaías 45,1.4-6) um profeta da época do Exílio anuncia aos habitantes de Judá, exilados na Babilónia, que está a chegar o dia em que serão libertados do cativeiro e poderão regressar a Jerusalém.Ciro, rei dos persas, será o “Ungido de Deus” para concretizar a libertação anunciada. É Javé, o Senhor do universo, que preside à história dos homens; mas Deus concretiza os seus planos através de pessoas que escolhe e que envia para atuar em Seu nome no mundo e na história.
Na segunda leitura (1 Tessalonicenses 1,1-5b) o apóstolo Paulo traz-nos o exemplo de uma comunidade cristã que colocou Deus no centro do seu caminho e que, apesar das dificuldades, se comprometeu de forma corajosa com os valores e os esquemas de Deus.Eleita por Deus para ser Sua testemunha no mundo, vive ancorada numa fé ativa, numa caridade operante e numa esperança inabalável.
In Liturgia Dehoniana
A Palavra se faz vida
A César… e a Deus…
O texto evangélico deste domingo traz até nós um diferendo bem presente no tempo de Jesus, daí a questão que lhe é colocada: pagar ou não o tributo a César? (uma casca de banana).A Palestina naquele tempo era uma colónia romana, daí o imposto que todos deveriam pagar ao Imperador. As opiniões dividiam-se: os fariseus eram contra este imposto; os herodianos a favor. Vê-se mesmo, as consequências de uma resposta unilateral.A sabedoria do Mestre colocou tudo no lugar certo.As moedas tinham gravada a imagem de César, o Imperador. Eram sua propriedade.Cada um de nós, criado por Deus, tem no coração gravada a imagem de Deus: criados à Sua imagem e semelhança. Somos propriedade de Deus. A vida, a inteligência, as forças, os talentos são dom de Deus. Pertencemos-Lhe, antes de tudo.A nossa vida deve ser um “redoar” a Deus o que Ele já nos deu.Simultaneamente, como cidadãos que habitam a terra, somos chamados a construir, a desenvolver a “cidade”, a “coisa pública”, com os impostos que nos são atribuídos.
Um fruto da Palavra
«Não prejudicarás o estrangeiro, porque vós próprios fostes estrangeiros na terra do Egito»
(Ex 22,20)
Mês de Outubro
Como pôr em prática esta Palavra de Vida?Pode ser útil fazermo-nos algumas perguntas: já alguma vez fiz a experiência de ser estrangeiro? Já me senti não aceite, mal recebido, incompreendido ou deslocado? O que aprendi com essas situações? Quem é o estrangeiro para mim? E quem é o estrangeiro para Deus? Como posso acolhê-lo sem reservas, tal como o Senhor nos acolhe? O que posso fazer de concreto?É esta a experiência de Maryam, uma jovem paquistanesa:«Num estabelecimento, vi o proprietário recusar um chá a uma senhora idosa. Tinha apenas algumas rupias (a moeda local) no bolso, mas senti que devia ajudá-la. Aproximei-me então do proprietário e ofereci-me para pagar o chá.Ao princípio, olhou para mim com hesitação. Depois de uma breve pausa, sorriu e disse: “Não, isso não está certo. Se tu, que és cliente, estás disposta a gastar o pouco que tens para cuidar dela, quanto mais eu, que sou o proprietário, devo ser generoso! Para mim é mais fácil oferecer-lhe uma chávena de chá gratuitamente do que deixar-te pagar.”Foi uma experiência muito marcante. Ao procurar demonstrar amor, primeiro àquela senhora e depois ao proprietário, vi como um simples gesto de bondade pode abrir o coração de outra pessoa.»
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